Qual a eficácia da desativação de pontos gatilho miofasciais utilizando eletroestimulação percutânea?

Segunda, 14 de Dezembro de 2020

Qual a eficácia da desativação de pontos gatilho miofasciais utilizando eletroestimulação percutânea?

As técnicas de eletroestimulação são empregadas frequentemente no tratamento de quadros de dor. Seja de forma invasiva ou não.

Uma dúvida comum é se a eletroestimulação direta de pontos gatilho miofasciais seria mais eficaz do que técnicas consagradas pelo uso, como é o caso do agulhamento miofascial.

Infelizmente, a literatura ainda carece de estudos conclusivos sobre o tema, mas é possível que a eletroestimulação percutânea direta sobre o ponto gatilho exerça um efeito benéfico no tratamento dessa condição como observado em revisão sistemática recente (Pain Med. 2019;20(9):1774-1788).

Em estudo recente, Garcia-de-Miguel S et al (J Clin Med. 2020 Jun 1;9(6):1665) compararam o agulhamento miofascial com a estimulação elétrica percutânea (PENS). A conclusão dos pesquisadores foi em favor de melhor efeito da PENS em relação ao agulhamento miofascial. Fatores como amostra pequena, ausência de grupo controle e dose da intervenção (tempo de tratamento, número de agulhas e controle de efeitos não específicos) constituem algumas das limitações do estudo e sem dúvida são fatores que devem ser melhor abordados em estudos futuros, uma vez que a prática clínica mostra com frequência a valor da eletroestimulação em diversas situações clínicas.

Devemos ainda levar em conta o que estamos querendo abordar com o tratamento. Os efeitos modulatórios periféricos e centrais da eletroestimulação vão muito além da desativação de um ponto gatilho (Anesthesiology. 2014;120(2):482-503), e o emprego dessa técnica deve levar esses alvos terapêuticos em consideração.

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Palavras-chave: dor miofascial, pontos gatilho, eletroestimulação
Joao Eduardo M Teixeira
Autor: Joao Eduardo M Teixeira
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Residência Médica em Acupuntura no Hospital Regional de São José Homero de Miranda Gomes (HRSJ-HMG/SC). Especialização em Medicina Física e Reabilitação pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD / São Paulo - Brasil). Título de Especialista em Medicina Física e Reabilitação pela ABMFR e AMB. Diretor Científico do Colégio Médico de Acupuntura da Santa Catarina (CMASC)